quinta-feira, 1 de abril de 2010

Um Conto

Sha'ul saiu de casa pensando muito. Às vezes tinha a impressão de que fazia parte de um círculo biológico de equilíbrio, achava que toda a tapalidade daquele povo ocupava um espaço que não era a isso destinado. E as sobras, os ideais, os princípios, os vestígios de altruísmo, ocupavam as primeiras brechas dos buracos que econtravam. Sha'ul tentava buscar um equilíbrio mais justo nas ágoras lotadas daquela cidade sem perspectivas, tentava tirar de si o que não o pertencia, o que não era sua obrigação. Mas era difícil, o que saía de sua cabeça logo voltava ao mesmo buraco.
Andando pelo meio da rua, cabisbaixo, ouviu algumas vozes vindas de logo à frente. Um rapaz e uma moça vinham pela calçada, e então passaram por ele conversando e dando risadas gostosas. Naquele momento a cabeça de Sha'ul se esvaziou... Sentiu-se feliz. Não sabia o porquê, mas sempre que via um sorriso sincero de um desconhecido, transformava-se.

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