domingo, 15 de agosto de 2010

A mosquinha

É interessante pensar na realidade,
Que ela nunca é igual aos filmes...
Mas um terceiro olho, fora de mim,
Filmou tudo e injetou em minha memória.
Eu, sentado em uma grande pedra, à beira do rio,
Lia um livro repleto de animais falantes.
A água, que vinha com uma certa braveza, respingava
E alcançava meus pés, dizendo: Arrepias, sente a vida!
Quando deitava, os cristais cutucavam minhas costas,
Mas acho que aquele lugar era feito pra mim...
Eles me massageavam... Me provocavam.
No fundo acho que queriam dizer:
Vem, prova que ainda faz parte de meu mundo!

Outro dos deles, uma mosquinha, apareceu.
Em um milésimo de segundo, minha mente
Astuta e concretada, logo agiu: Puta que pariu!
Estava demorando pra zumbirem no meu ouvido.
Ah, que frio... Arrepias, sente a vida!

A mosquinha estava tão parada no ar,
Que parecia o mundo girar à sua volta.
Ela se aproximava com muita cautela,
Lentamente, àquele campo vermelho!
Era um vermelho tão vivo! E tão... Constante!
Morri! - devia pensar.

Pra mim, apenas uma contra-capa!
Coitada, escapou da morte,
Mas não de uma grande ilusão...
Terminei o livro naquele dia e, quando eu voltar,
O livro vai ser outro.

Sorte que ela é apenas uma mosquinha.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Lindo texto!!
    Me lembrou uma frase que li esses dias,da Lygia Fagundes Telles:
    "Coragem de amar e desamar, coragem de morrer e desmorrer, coragem da cólera, da tristeza ..."

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