É interessante pensar na realidade,
Que ela nunca é igual aos filmes...
Mas um terceiro olho, fora de mim,
Filmou tudo e injetou em minha memória.
Eu, sentado em uma grande pedra, à beira do rio,
Lia um livro repleto de animais falantes.
A água, que vinha com uma certa braveza, respingava
E alcançava meus pés, dizendo: Arrepias, sente a vida!
Quando deitava, os cristais cutucavam minhas costas,
Mas acho que aquele lugar era feito pra mim...
Eles me massageavam... Me provocavam.
No fundo acho que queriam dizer:
Vem, prova que ainda faz parte de meu mundo!
Outro dos deles, uma mosquinha, apareceu.
Em um milésimo de segundo, minha mente
Astuta e concretada, logo agiu: Puta que pariu!
Estava demorando pra zumbirem no meu ouvido.
Ah, que frio... Arrepias, sente a vida!
A mosquinha estava tão parada no ar,
Que parecia o mundo girar à sua volta.
Ela se aproximava com muita cautela,
Lentamente, àquele campo vermelho!
Era um vermelho tão vivo! E tão... Constante!
Morri! - devia pensar.
Pra mim, apenas uma contra-capa!
Coitada, escapou da morte,
Mas não de uma grande ilusão...
Terminei o livro naquele dia e, quando eu voltar,
O livro vai ser outro.
Sorte que ela é apenas uma mosquinha.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirLindo texto!!
ResponderExcluirMe lembrou uma frase que li esses dias,da Lygia Fagundes Telles:
"Coragem de amar e desamar, coragem de morrer e desmorrer, coragem da cólera, da tristeza ..."