terça-feira, 8 de maio de 2012

Sons da Brigadeiro / Mulher-gato

Imagens duplas e tortas,
Mordida torta de maçã
E cabelos de milho.

Quando penso em você esqueço de tudo isso,
Pois tudo o que tem são os sons da Brigadeiro.
E o que mais lhe importa, se não os sons
De passos, roncos e das garoas de metal?

Queria tanto que você me percebesse,
E então viria o quanto lhe olho,
Me perguntando, se pudesse ver,
Qual seria o tom de seus olhos.
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Todos os dias, no caminho que faço e fiz,
Vejo malas-armário e papelões-colchão.
Mas desta vez vi, na praça 14 bis,
Algo mais sujo que o próprio chão.

Num relance, vi a mulher-gato
Tomando seu banho, coitada,
No meio da calçada, em anonimato,
Tentando não ser um nada.

3 comentários:

  1. isso me lembra a loucura escandalosa de são paulo. como todo aquele caos embrulha na gente não?
    acertei?

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  2. Exatamente... Ambas as poesias são frutos dos 4 meses de moradia naquela selva.

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  3. Quando penso em você esqueço de tudo isso...
    Eu não paro de pensar em você e na falta que você me faz.
    Rezo pra falta passar logo. Hoje, se te visse, e se você quisesse, começaria tudo de novo. Mas você não quer, não é?

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