terça-feira, 8 de maio de 2012

Sons da Brigadeiro / Mulher-gato

Imagens duplas e tortas,
Mordida torta de maçã
E cabelos de milho.

Quando penso em você esqueço de tudo isso,
Pois tudo o que tem são os sons da Brigadeiro.
E o que mais lhe importa, se não os sons
De passos, roncos e das garoas de metal?

Queria tanto que você me percebesse,
E então viria o quanto lhe olho,
Me perguntando, se pudesse ver,
Qual seria o tom de seus olhos.
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Todos os dias, no caminho que faço e fiz,
Vejo malas-armário e papelões-colchão.
Mas desta vez vi, na praça 14 bis,
Algo mais sujo que o próprio chão.

Num relance, vi a mulher-gato
Tomando seu banho, coitada,
No meio da calçada, em anonimato,
Tentando não ser um nada.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pausa

De vez em quando, só me mata o compromisso;
Tenho fogo, vida e mar, mas o tempo, omisso.
Ainda bem que existem certas pequenezas
Que não precisam de tempo... Só suas belezas.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Vida de cão

E agora, que a coleira não tem guia?
Cão sai cheirando público e privada.
Qual será o pior ou melhor pra vida?
Se em um ele faz tudo, no outro, nada.

E essa é a vida do cão sem dono e só...
Vira lata a lata em busca de pão
Ou qualquer coisa que lhe encha o gogó.
Mas ainda não matou sua fome, não.

E o que é que tem essa situação?
Cão que é cão não vive pra matar fome,
Vive dia a dia em busca de pão.
Quando come, lambe os beiços e some.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Quanta dualidade extremista
Será necessária pra enxergar?
Quanto tempo tens em vista
Até que possas governar
Sua própria vida?

Enxerga todos os fatores!
Genético
Pessoal
Psicológico
Social
A influência
O meio
O tempo
A situação
E não julga seu irmão,
por favor.
Ele está, ele não é.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Só dicionário tem coragem?

desculpa
des.cul.pa
sf (des+culpa) 1 Ação de desculpar ou de se desculpar. 2 Alegação atenuante ou justificativa de culpa. 3 Absolvição, exoneração. 4 Escusa. 5 Evasiva. 6 Pretexto. 7 Indulgência, perdão.

Ou é só Buarque de Holanda Ferreira que percebe a necessidade?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

De Tolstói

As estradas são lisas, a luz viva, o ar estimulante.
Fique bem calmo e trate de se esquentar.
E a monótona vida burocrática,
As aperturas de dinheiro,
e assim um ano, dois, dez, vinte,
Perfeitamente idênticos.

As pessoas fingem que o repugnante e vergonhoso
É belo e sublime.

Não me responsabilizo mais por mim!
Precisamos andar no sentido do vento.
Não fales de repente, pensa um pouco,
Para me dizeres tudo o que pensas.

Estás descontente comigo, e tens provavelmente razão,
Mas deixa-me compreender qual é a minha culpa.
Amor não contém em si nenhuma obrigação moral.
Cuidado! Que no mundo tudo continua como de costume.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Enquanto as notas se vão

Enquanto as notas se vão...
Estou aqui sentado em um quarto
Cheio de vontade e desejo,
Escuro, mas eu vejo
O tamanho do fardo.

Não consigo me imaginar
Te abandonando e indo viajar,
Deixando o que construímos
Nessa vida que mal possuímos.

Vem comigo, canta comigo,
Faz meu fundo musical
Enquanto as notas se vão.
Me leva daqui,
Me leva pra onde as notas vão.